Poderá o amor sobreviver a uma guerra surda? Quanto tempo? Ontem houve uma grande conversa cá em casa...mais uma, de todas as que já tivémos e cujos resultados são cegos, mais uma vez, ele falou, eu ouvi, e quando chegou a hora de eu falar, fez-se silêncio. O meu silêncio é constante, como se não valesse a pena falar, porque o meu principal problema não passa pelas palavras, mas pelos sentimentos que nem sequer se descrevem. Antes de o conhecer, vivi uma relação de 10 anos, que resultou num casamento. Foram os 10 anos mais felizes da minha vida sentimental, porque era um amor genuíno e incondicional, ele fazia-me feliz, propositadamente. Eu era o mais importante na vida dele, acima de tudo e todos. A minha felicidade era a prioridade da vida dele. Eu dizia-lhe montes de vezes "sou tão feliz que até tenho medo"
Agora é tudo tão diferente...foi escolha minha, fui eu quem quis, bati o pé, remei contra as correntes mais fortes que alguma vez remara nesta vida, enfrentei todos os que mais gosto, inclusive a ele. Tomada pela cegueira de um novo amor, segui em frente.
Agora estou aqui, noutra cidade, a escrever às escondidas, porque ontem tivemos uma grande conversa...mais uma.
"Não está a funcionar"...e não está. Eu tenho rancor porque não sou a prioridade da vida dele, ele tem-me rancor porque abdicou de projectos, viagens e sonhos, porque eu não lhe dou espaço para os realizar.
Moral da história? Temos rancor um do outro. E o amor, existe?
O pensamento dele vive povoado de novos projectos profissionais, muitos deles pessoais, é para isso que cá anda, para trabalhar o seu marco nesta vida, fazer projectos que lhe dêm liberdade para um dia ter uma vida desafogada e poder ser dono do seu tempo...quem dera a todos. Eu admiro isso, também gostava de um dia ser dona do meu tempo. Mas nos estretantos, falta aqui qualquer coisa, que é a água de uma planta, que rega e faz crescer. E é isso que distingue o amor de outros sentimentos tão válidos e bonitos, mas que não são amor. O amor cresce, fortifica, engrandece, como uma planta bem regada. O que não é amor, acaba por murchar. Por muito que me custe, e custa, admitir, isto não deverá ser amor, mas sim um gostar muito, que vai mantendo a planta meio viva, meio morta...e assim vamos andando. De vez en quando vai uma dose de adubo, a ver se a coisa se aguente e não morre de vez. Ontem foi uma grande dose de adubo, aguentar-se-á mais uns meses...quantos? O amor dura a vida inteira...
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